Na metade do século XIX, os fazendeiros paulistas já se preocupavam com a possibilidade da abolição da escravatura no Brasil. Visando solucionar antecipadamente a possível falta de mão-de-obra em suas fazendas, optaram pela contratação de mão-de-obra imigrante, atitude esta apoiada por vários setores do Governo Imperial.

Nesta mesma época, devido à escassez de terras, alta densidade demográfica no norte da Alemanha, fome (em virtude de sucessivas colheitas frustradas) e altos impostos, grupos de alemães e suíços partiram em busca de novas oportunidades no Brasil. Assim, a imigração alemã para o nosso país (iniciada em 1822 por Van Langsdorff) teve seu primeiro sucesso em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul; em São Paulo, a colônia Velha, em Parelheiros, Santo Amaro é pioneira neste sentido.

A região cafeeira de Campinas (que compreendia também Limeira e Rio Claro) recebe, na Segunda metade do século XIX, grandes grupos de imigrantes, que se instalam nas Fazendas Ibicava (do coronel Vergueiro, em Limeira) e na Fazenda Sete Quedas do Visconde de Indaiatuba (hoje pertencente à Fundação Bradesco). É nessa fazenda que Samuel e Nikolaus Krähenbühl, chegados ao Brasil em 1857, conhecem a família de Frederich Tamerus – colono que, tendo saldado suas dívidas no ano de 1860, decide sair em busca de terras férteis para si e outros colonos.

Tamerus, rumando para o oeste, encontra uma área de cerca de 800 alqueires, pouco acidentada e cortada por vários riachos no centro do triângulo entre as cidades de Monte Mor, Campinas e Indaiatuba. Região que hoje conhecemos por Friburgo, nas proximidades do aeroporto de Viracopos. Alguns anos mais tarde, mudam-se para a região os irmãos Krähenbühl, e a seguir os Steffen, Jürs, Klement, Armbrust, Quitzau, Wulf, Ulitzka, Albrecht, Schröder, Dolner e Skupien. Ao todo 34 famílias; E resolvem batizar a localidade Friedburg – Castelo da Paz.

Sendo assim, os fundadores deixam às gerações futuras a noção da harmonia que havia entre eles. Harmonia, entendimento, união e espírito construtivo.

Depois de se estabelecerem em seus sítios, a preocupação desses imigrantes (em sua maioria vindos de Schleswig-Holstein, norte da Alemanha, mas contando também com algumas famílias da Suíça do Cantão de Berna) foi com a educação de seus filhos: sem uma escola pública nas proximidades e considerando o ensino público brasileiro deficitário se comparado com a instrução que receberam na Europa, fundaram em outubro de 1879 a Sociedade Escolar do Bairro Friburgo (Schulverein zu Friedburg), mantenedora da Escola Alemã de Friburgo (Deutsche Schule zu Friedburg).
Até a década de 1930 a língua alemã foi ensinada na escola e seu nome original foi mantido. No entanto, por causa da campanha de nacionalização encabeçada pelo governo brasileiro, escola e Sociedade tiveram seus nomes alterados para Escola de Friburgo e Sociedade Germano-Brasileira de Friburgo, posteriormente, Sociedade Escolar do Bairro Friburgo.

Nos últimos anos do século XIX e os primeiros anos do século XX, a Comunidade de Friburgo concentrou suas atividades sociais no prédio da escola. As famílias tornaram-se numerosas e o papel exercido pela sociedade foi fundamental para a manutenção do clima de respeito que se observa até os dias de hoje em torno das tradições alemãs e do pioneirismo de nossos fundadores.

Com o passar dos anos (em virtude da crise do café), muitas famílias mudam-se para as cidades próximas mas ainda assim algumas delas mantêm o hábito de voltar ao bairro todos os fins de semana para assistir aos cultos (na Igreja Evangélica de Confissão Luterana, fundada em 1933), homenagear seus mortos (Associação Funerária do Friburgo, fundada em 1886) ou participar de bailes, almoços, jogar cartas e ensaiar no grupo de danças. Mesmo não morando mais no bairro as famílias descendentes têm o prédio da escola como referência.

Atualmente o grupo de danças conta com duas categorias, uma “juvenil”, formada por adolescentes e adultos a partir dos 15 anos e uma “senior” formada pelos pais dos integrantes da outra categoria e pelos casais da Sociedade. Sem fins lucrativos, é com essa atividade que a sociedade se mantém viva, com a participação de jovens amantes da dança, do folclore e da cultura.

E assim, é com grande satisfação e orgulho que vemos as atividades da Sociedade Escolar do Bairro Friburgo se estenderem hoje, à realização de festas típicas alemãs, com a participação dos grupos de dança folclórica, não só na própria comunidade, mas também nos municípios próximos, contribuindo para a conservação e difusão da cultura germânica na região de Campinas.

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